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Reconstrução

(...) Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Chico Buarque

         Atualmente vivemos em um momento tão paradoxal no Brasil que é difícil não estarmos perplexos. Com a crise da representação politica bem como das demais instituições basilares para o exercício pleno da democracia, impossível não relembrar a música de Chico Buarque intitulada Construção, criada em plena ditadura militar em 1971. Como repensar um pais do futuro em frangalhos? Como refletir sobre o papel da arte em um momento que a liberdade de expressão novamente vem sendo tolhida? Como ver sentido em obras que claramente reiteram os gêneros já clássicos como a pintura e a colagem num mundo cada vez dominado pelo espetáculo de uma arte contemporânea que parece não ter mais fronteiras?

Subiu a construção como se fosse máquina

         Ocupar o espaço do Contraponto, um espaço sempre em construção não é tarefa fácil. A presença imponente do Cubo branco sempre coloca a presença das obras em questão. As pinturas de Sueli Espicalquis remetem sempre a paisagens aéreas distantes vistas a partir de máquinas fotográficas ou artefatos aerodinâmicos. As passagens cromáticas sutilmente delineadas por tons indefiníveis, desconhecidos pela gramática das cores, produzem, entretanto, uma forte presença espacial. Diferem em tamanho, mas sempre apresentam uma ampla escala e ocupam, sem titubear, o espaço expositivo. (...)

Marco Giannotti

Texto da exposição Reconstrução, Espaço Contraponto, São Paulo-SP, 2017